segunda-feira, dezembro 10, 2007

A tartaruga …e o PSD Águeda


Comecemos pelo conto infantil, comecemos pela história – da tartaruga e da lebre.

Como sabemos a tartaruga é um animal robusto, mas vagaroso; a lebre é esguia, mas veloz. Numa corrida, a lebre ganharia facilmente à tartaruga. Mas será sempre assim? Foi, por acaso, assim na narrativa de Pierre Goulart, tantas e tantas vezes repetida às crianças como história de embalar e como lição de vida a reter?

Não, não o foi…

Com esta alegoria pretendo metaforicamente simbolizar o PSD Águeda com a tartaruga e o Partido Socialista de Águeda com a lebre, corredora e saltitona.

Há 2 anos e meio, o P.S ganha as eleições autárquicas em Águeda. Rios de tinta correram sobre isso…era o tempo da esperança e da tão apregoada mudança. Mudança que se queria de hábitos, procedimentos e modus operandi…

Muito bem, 2 anos passaram, vamos à rua, entremos nos cafés, auscultamos empresários, sintamos o pulsar da cidade…

A mudança deu lugar à descrença; a esperança à desilusão.

A reforma administrativa camarária, alvo de elogios externos, é um verdadeiro pesadelo para o cidadão comum que a ela se dirige, pois ainda que o papel tenha dado lugar ao digital, as filas de espera para atendimento passaram de largos minutos para algumas horas…

A ceifeira, grande baluarte de campanha pública pelos socialista, ainda que visualmente tenha consequido alguma melhoria no aspecto da Pateira, não resolve nem de perto, nem de longe os problemas da maior reserva aquífera natural da Península Ibérica; Ainda esta semana se soube também, que a tão famosa petição entregue na Assembleia da República nada trouxe, nada acrescentou, nada de bom vislumbrou..

Os parques industriais, com uma divulgação mediática tão acentuada, e já com fundos do orçamento determinados, parecem agora semi-adormecidos, tamanhas as críticas relacionadas com a sua localização, mas acima de tudo com as suas reduzidas dimensões.

O Agcua, projecto para reanimar o centro histórico com o comércio tradicional, depois de um relativo sucesso, foi abandonado , com a demissão dos responsáveis e um desentendimento generalizado…

Olhemos também um pouco para o total clima de insegurança e medo que se vive nas ruas de Águeda, com diversas lojas a serem assaltadas, casas particulares espoliadas e carros furtados em plena luz do dia…

Também a "trapalhada" recente com o chumbo da carta educativa, não por mero capricho do PSD, mas antes por não corresponder ao justo anseio das freguesias, mas acima de tudo dos jovens estudantes, demostrou a vulnerabilidade desta gestão autárquica , que com tiques autoritários, queria "lavar as mãos" das suas responsabilidades e passar a "batata quente" para os eleitos da Assembleia municipal…

E muitos outros "episódios", podiam e deviam aqui ser referidos mas por falta de espaço neste Fórum do Ideias Políticas não o farei, senão teriam que ser referenciados novamente os "velhos" temas relacionados com: a ligação à A1, a via rápida Águeda-Aveiro, o novo hospital, o pavilhão multi-usos, o centro coordenador de transportes, etc, etc.

Termino, voltando ao conto infantil…

O PSD Águeda, terá que ser a tartaruga ao longo destes 2 anos…o corredor de fundo, aquele que devagar vai longe…
Terá que recuperar a credibilidade junto dos aguedenses, isto se alguma vez a chegou a perder totalmente, terá novamente que recuperar a confiança do seu tradicional eleitorado e saber chegar ao restante, chamando até si os mais jovens, os mais capazes, os mais dinâmicos.

Nestes 2 anos, o PSD Águeda terá que estar unido em torno de um objectivo comum, não necessariamente o objectivo "cego" de recuperar o poder autárquico, mas antes e isso sim, a vontade férrea e clara de apresentar as melhores propostas, as soluções mais realistas para os problemas diagnosticados e claro está tambem, ter a capacidade necessária para trilhar o melhor caminho para as gentes de Águeda e para o desenvolvimento real e concreto do concelho de Águeda – esses sim, baluartes que nos levarão à reconquista da Camara Municipal.

Tudo isto, por Águeda!

Tiago Lavoura

quarta-feira, novembro 28, 2007

A perspectiva sobre Sá Carneiro por um jovem de 18 anos


É sempre um enorme e difícil desafio ter que escrever sobre uma figura singular e única como Francisco Sá Carneiro. Primeiro porque, na história de Portugal, ele é mais que um homem...é um mito! E é um mito por duas razões, antagónicas talvez. Primeiro pela forma como acontece a sua morte. Atentado para uns, acidente para outros, o facto é que ainda hoje, vinte anos depois, ainda nada de concreto se apurou. Segundo, pela forma ímpar como viveu.
Com uma personalidade controversa e aliando a isso uma enorme força de vontade, e de lutar contra tudo o que se opunha aos seus ideais, é para mim um ícone e exemplo único a seguir.

Viveu talvez pouco tempo para concretizar as reais modificações que tinha em mente.
Para mim, Sá Carneiro é, e sempre será, um exemplo a seguir, para os jovens e para os menos jovens, que de uma forma mais ou menos predominante, queiram dar algum contributo pessoal à sociedade em que nos encontramos. Um homem generoso, solidário, com uma personalidade contagiante, hoje raramente encontrada, traçou um percurso político controverso e fulgurante no nosso Pais. Criou e defendeu os seus próprios ideais, rompendo em quase tudo a que esteve ligado. Era uma figura intuitiva e apaixonada, não pelos outros, mas por si e pelas suas aspirações, futuristas demais talvez, para o poder da altura, hoje actuais e bem realistas.

Para um jovem de 18 anos, como eu, Francisco Sá Carneiro, é sem dúvida um exemplo a seguir. Hoje, perde-se muito depressa a vontade de correr pelos nossos ideais, muitas vezes nem os temos sequer. É cada vez mais difícil, encontrar forças humanas de mobilização como o fundador do PSD, pessoas capazes de pensar no futuro de forma tão inovadora quanto contestada. Numa época em que o descrédito da classe politica é grande, eu diria até que só alguém com o carácter de Sá Carneiro teria a força capaz de inverter este marasmo em que vive a politica e os políticos em Portugal. Não sei se sozinho o fosse conseguir. Mas estou certo de que os jovens iriam encarar toda esta problemática com outros olhos.

Hoje porém, os tempos são outros, ainda assim, é necessário não deixar de pensar no futuro e de enfrentar os problemas actuais e reais com frontalidade.

Para um jovem, como eu, é quase uma banalidade, viver num estado de direito democrático, pertencer à União Europeia e a todos os seus direitos e deveres reservados. Para nós, isso é normal.

É difícil perceber a importância que tinha para este homem, tornar Portugal num Pais moderno, democrático e aberto. É notável, para a época que estamos a falar, pensar como este homem, e poucos o faziam, acreditava na Europa, na União, nos direitos do Povo e nos direitos humanos, na social democracia como base para um Estado mais justo, igual e solidário para todos.

Banalidades hoje para muitos, sonhos para os nossos pais e realidades quase impossíveis de realizar para os nossos avós, que só se tornaram possíveis graças á força e preserverança de homens como Francisco Sá Carneiro.

Para mim, o tal jovem de 18 anos, a perspectiva que tenho sobre Sá Carneiro, é de que não era apenas um homem bom e activo na sociedade. Era e sempre será, um exemplo real do que deve ser o verdadeiro político.

Sérgio Neves, 18 anos

segunda-feira, setembro 10, 2007

Teoria da Relatividade relativa à Política II


Relatividade: s. f. qualidade ou estado do que é relativo; contingência; condicionalidade; Fís., teoria da -: cada uma das duas teorias desenvolvidas por Albert Einstein (1879-1955), a teoria da relatividade restrita e a teoria da relatividade geral que, baseadas em novas concepções dos conceitos de tempo, espaço e movimento, conduziram ao estabelecimento de um modelo do universo alternativo ao modelo de Newton.

Deste modo, relatividade poderá significar a qualidade ou estado do que é relativo, com uns laivos de contingência e de condicionalidade. Na prática, deparamo-nos com alguns conceitos pouco amáveis, uma vez que ninguém gosta de ser condicionado ou limitado. Ficamos ainda a saber, que essa “madrasta” palavra nos pode avaliar no que diz respeito à qualidade ou ao estado. Como arte de dirigir relações, (relações entre poderes e indivíduos), o exercício da política é fértil em contingências e condicionalismos.

Segundo o modelo físico, desenvolvido por Albert Einstein a relatividade resulta de uma nova concepção de espaço, tempo e movimento que conduziu a um novo modelo de universo, alternativo ao de Newton!!! Politicamente pensando, é lógico intuir que todos nós temos um diferente conceito de espaço, tempo e movimento, correndo assim o risco de criar universos alternativos.

Imaginemos então, 20 universos alternativos, com noções diferentes, muitas vezes incompatíveis no que diz respeito ao tempo e ao movimento; até porque o mesmo espaço não pode ser ocupado em simultâneo por vários objectos. Todavia, podem coincidir nos movimentos, ora ascendentes ora descendentes, consoante a avaliação do estado das coisas!

Será fácil de perceber, que em alguns desses universos existe algo que poderá baralhar um pouco a cabeça destes grandes físicos, o conceito de omnipresença. É realmente um conceito que fisicamente ainda não está explicado, mas que parece fazer cada vez mais sentido. Ora, exercer política nestas condições não será propriamente fácil, já que perceber diversos universos e conjugá-los com a omnipresença pode ser uma tarefa digna de Hércules.

É importante existir este balanço de condicionantes e contingências no exercício da política, já que assume um papel de equilíbrio neste jogo. No entanto, é veemente de entender que todos os universos individuais criados são suplantados pelo universo do ideal, querendo com isto dizer que nos deveríamos deixar sempre condicionar por valores morais e de acção que nos tornem distintos em relação àqueles que permitem que a contingência seja imposta por vontades individuais.

É fundamental que nos deixemos “todos” relativizar em função de Águeda.

Marco Abrantes