segunda-feira, junho 04, 2007

Era digital… não era?


Quem não conhece o famoso sketch do Gato Fedorento, que tão bem ironiza o estado de sitio vivenciado no ideário do funcionalismo público nacional “Papel?! Qual papel? - O papel. - Mas qual papel!

Recentemente, foi noticiado nos órgãos de comunicação concelhios a visita do Srº Secretário de Estado da Administração Local, Eduardo Cabrita, num périplo pela nossa autarquia, destinado a assistir in loco ao avançar do processo de Modernização Administrativa e da Gestão Autárquica, em marcha na Câmara Municipal de Águeda.
Modernizar, desburocratizar, informatizar são palavras de ordem.

Objectivo: banir o papel do maior número de procedimentos camarários.
A redução efectiva do papel gasto na autarquia deve ser uma meta, numa atitude de racionalização e controlo de custos que todos apreciamos. Todovia, a ausência de determinado tipo de papel poderá ser dramática, sobretudo em horas de aperto. Vale os espírito altruista de quem dele precisou e o velho ditado “Homem prevenido vale por dois”. Afinal há papel e papel!

As Novas tecnologias são realmente indicadoras do nível de exigência de uma população, bem como catalisadoras das sinergias dos mais jovens, podendo, realmente, apontar novos caminhos de gestão, mais eficazes e motivadores para todos. Prova deste facto é a acção comemorativa do Dia Mundial da Juventude, que pretende estabelecer uma tertúlia cibernética entre algumas associações de âmbito jovem do Concelho, tendo como mote para “conversa” online as seguintes perguntas: Quem sou eu? Quem és tu? Quem é ele? Que fazemos? Que devíamos fazer? Que expectativas? Que políticas para a Juventude? Que Futuro? Porque executar implica um plano, um pensamento e um conhecer das realidades que nos rodeiam.

Quase dois anos volvidos desde o início de actividade deste executivo camarário, é preocupante andarmos hoje, ainda, à descoberta da nossa essência!
Seremos, nós, um grande ponto de interrogação?

Vamos “teclando, a ver se a gente se entende”.


Marco Abrantes

terça-feira, maio 01, 2007

Par de cavalos do rio para limpar os jacintos


É recorrente na comunicação social local o tema mais querido da nossa autarquia, a pateira. Limpezas sete dias por semana, hora e quantidade de (água, caniço e jacintos retirados,) fluviários, canais até à Barra, baptismo da ceifeira, enfim, um actualizado e repetido manancial de informação.

A utilização sucessiva desta temática, com poucos acrescentos, pode ser avaliada na actualidade através de uma estratégia denominada de Marketing Viral, que é definida por uma vasta panóplia de técnicas de comunicação, utilizadas com base no crescimento de redes sociais definidas, conduzindo a que repetidamente a matéria ou conceitos em causa não sejam esquecidas e sobretudo permaneçam vincadas na mente dos receptores.

Conscenciosa a postura da nossa autarquia nas matérias relativas ao ambiente e em especial à pateira, após a afirmação do nosso edil: “… Se Lisboa tem um oceanário, Águeda vai ter um fluviário”.- in Jornal de Notícias, de 29 de Janeiro. Entendo por oportuno dar o mote nesta cruzada de arrojo e determinação em prol da lagoa. Assim, conjuntamente com o fluviário, e em harmonia perfeita, com a navegação da ceifeira seria interessante a Câmara Municipal ponderar a aquisição de um casal de cavalos do rio, vulgo hipopótamos.

A sugestão de tão agradavéis animais será, efectivamente, uma mais-valia na atracção turística à maior lagoa natural da Península Ibérica. Sendo animais de grande porte, pesando até cerca de quatro toneladas na vida adulta e herbívoros, poderão, em articulação com a ceifeira, cobrir uma maior área de limpeza, com a certeza de que retirarão apenas os jacintos da pateira. Animais com preferência nocturna, assegurarão 24 horas de trabalho, acrescendo ainda o facto de, sendo um casal, se apoiarem e motivarem mutuamente, nunca esmorecendo.

Todos os esforços relativos à preservação do equilíbrio ambiental são de enaltecer É uma matéria séria não compaginável com o uso abusivo de sound-bytes, que não passam de formas de perdurar imagens e nem sempre realidades. A estratégia é conhecida no país… e sobretudo em Águeda.

Mais que estratégias de propaganda, interessa, sim, uma pateira para todos.

Marco Abrantes

sábado, abril 28, 2007

O rio e o futuro


A Câmara Municipal de Águeda divulgou, esta semana, a intenção de colocar um açude insuflável no rio Águeda. Um sistema tecnicamente simples, mas bastante eficaz na contenção das águas e na preservação do sistema aquático, anteriormente tentado, numa versão simplista, com a colocação de areia mas nem sempre bem aceite.

A implementação deste sistema é muito importante para a valorização das margens, proporcionando visualmente uma diferente recepção a quem nos visita. É uma das maiores riquezas naturais que possuímos e deve ser alvo de uma visão estratégica, integrada e inteligente no desenvolvimento das suas margens.

A abertura das estradas circundantes, a reconstrução do muro caído e a requalificação da Praça 1º. de Maio devem ser prioridades imediatas. No entanto, não devemos ficar por aí. A importância do aproveitamento hídrico a montante é vital, não só como complemento de regularização do leito do rio mas também como mecanismo no armazenamento de água e consequente aproveitamento para serviço à população.

A história de desenvolvimento da cidade sempre passou pelo rio Águeda, devendo nós saber capitalizar, do ponto de vista urbanístico, toda a valorização estética e útil possível, criando áreas propícias para os momentos lúdicos de uma população jovem e moderna, promovendo espaços bonitos e refinados que referenciem Águeda no contexto regional e nacional.

Para tal, muitas vezes mais que a necessidade de capital, falta o arrojo e a visão de futuro. A capacidade de mudança em muito se reflete nas sinergias criadas em torno de uma causa comum, como o desafio das gerações mais jovens, aproveitando-as em toda a sua capacidade imaginativa e técnica para a construção de uma cidade melhor.

Afinal... o rio é uma prioridade ou não?!

Marco Abrantes