terça-feira, maio 01, 2007

Par de cavalos do rio para limpar os jacintos


É recorrente na comunicação social local o tema mais querido da nossa autarquia, a pateira. Limpezas sete dias por semana, hora e quantidade de (água, caniço e jacintos retirados,) fluviários, canais até à Barra, baptismo da ceifeira, enfim, um actualizado e repetido manancial de informação.

A utilização sucessiva desta temática, com poucos acrescentos, pode ser avaliada na actualidade através de uma estratégia denominada de Marketing Viral, que é definida por uma vasta panóplia de técnicas de comunicação, utilizadas com base no crescimento de redes sociais definidas, conduzindo a que repetidamente a matéria ou conceitos em causa não sejam esquecidas e sobretudo permaneçam vincadas na mente dos receptores.

Conscenciosa a postura da nossa autarquia nas matérias relativas ao ambiente e em especial à pateira, após a afirmação do nosso edil: “… Se Lisboa tem um oceanário, Águeda vai ter um fluviário”.- in Jornal de Notícias, de 29 de Janeiro. Entendo por oportuno dar o mote nesta cruzada de arrojo e determinação em prol da lagoa. Assim, conjuntamente com o fluviário, e em harmonia perfeita, com a navegação da ceifeira seria interessante a Câmara Municipal ponderar a aquisição de um casal de cavalos do rio, vulgo hipopótamos.

A sugestão de tão agradavéis animais será, efectivamente, uma mais-valia na atracção turística à maior lagoa natural da Península Ibérica. Sendo animais de grande porte, pesando até cerca de quatro toneladas na vida adulta e herbívoros, poderão, em articulação com a ceifeira, cobrir uma maior área de limpeza, com a certeza de que retirarão apenas os jacintos da pateira. Animais com preferência nocturna, assegurarão 24 horas de trabalho, acrescendo ainda o facto de, sendo um casal, se apoiarem e motivarem mutuamente, nunca esmorecendo.

Todos os esforços relativos à preservação do equilíbrio ambiental são de enaltecer É uma matéria séria não compaginável com o uso abusivo de sound-bytes, que não passam de formas de perdurar imagens e nem sempre realidades. A estratégia é conhecida no país… e sobretudo em Águeda.

Mais que estratégias de propaganda, interessa, sim, uma pateira para todos.

Marco Abrantes

sábado, abril 28, 2007

O rio e o futuro


A Câmara Municipal de Águeda divulgou, esta semana, a intenção de colocar um açude insuflável no rio Águeda. Um sistema tecnicamente simples, mas bastante eficaz na contenção das águas e na preservação do sistema aquático, anteriormente tentado, numa versão simplista, com a colocação de areia mas nem sempre bem aceite.

A implementação deste sistema é muito importante para a valorização das margens, proporcionando visualmente uma diferente recepção a quem nos visita. É uma das maiores riquezas naturais que possuímos e deve ser alvo de uma visão estratégica, integrada e inteligente no desenvolvimento das suas margens.

A abertura das estradas circundantes, a reconstrução do muro caído e a requalificação da Praça 1º. de Maio devem ser prioridades imediatas. No entanto, não devemos ficar por aí. A importância do aproveitamento hídrico a montante é vital, não só como complemento de regularização do leito do rio mas também como mecanismo no armazenamento de água e consequente aproveitamento para serviço à população.

A história de desenvolvimento da cidade sempre passou pelo rio Águeda, devendo nós saber capitalizar, do ponto de vista urbanístico, toda a valorização estética e útil possível, criando áreas propícias para os momentos lúdicos de uma população jovem e moderna, promovendo espaços bonitos e refinados que referenciem Águeda no contexto regional e nacional.

Para tal, muitas vezes mais que a necessidade de capital, falta o arrojo e a visão de futuro. A capacidade de mudança em muito se reflete nas sinergias criadas em torno de uma causa comum, como o desafio das gerações mais jovens, aproveitando-as em toda a sua capacidade imaginativa e técnica para a construção de uma cidade melhor.

Afinal... o rio é uma prioridade ou não?!

Marco Abrantes

sexta-feira, abril 13, 2007

A cidade das maravilhas ou uma maravilha de cidade?


“Alice no País das Maravilhas” é um dos mais famosos contos infantis de sempre. Narra o sono de uma menina, que quebra no seu sonho, como todas as crianças, as normas que regem a realidade. Quem não se lembra do Coelho Branco, sempre apressado e da Rainha de Copas sempre autoritária? Enfim, muitas e grandes figuras que populam no nosso imaginário.
Contar uma história porém, não está ao alcance de todos. Mudar as vírgulas e os pontos, mudar as personagens e os cenários, e no fim esperar que a moral da história seja dotada de um ensinamento profundo, inteligente e sobretudo útil para que toda esta mudança não seja vã, só pertence ao imaginário das crianças. Deste conto devemos retirar alguns ensinamentos. Aproveitando as duas personagens supra citadas, encontramos o Coelho Branco e a Rainha de Copas como seres de personalidade marcante. Um apressado, sempre atrasado para tudo e ocupado com o seu próprio atraso; outra autoritária e ditatorial, mais mandante que o seu rei, sempre pronta com os seus soldados para fazerem de sua justiça. Ora, depressa e bem há pouco quem e a justiça a todos guarda, mas ninguém a quer em casa. Esta história de Maravilhas assaltou-me a memória ao aperceber-me que a Autarquia já iniciou a eleição das Sete Maravilhas de Águeda, pretendendo “…completar e enriquecer o nosso património com o que faz parte da nossa história, valorizando as raízes da nossa terra e das nossas gentes. Pretendemos, com esta iniciativa, motivar a participação e a reflexão dos munícipes de forma a valorizar o património natural e arquitectónico do nosso município.”, conforme se encontra descrito no site da Câmara Municipal. Apressados na conquista de novas Maravilhas, é pertinente lembrar aquelas que fazem parte do nosso património quotidiano: - As associações e apoios que necessitam; - As nossas estradas e da manutenção que precisam; - A segurança e o apoio que as populações merecem; - O nosso rio e a zona ribeirinha pela nossa identidade; - As nossas escolas e os seus alunos pelo nosso futuro; - A nossa indústria e sua capacidade empresarial pela nossa afirmação; E, sobretudo e por tudo, os cidadãos.
Marco Abrantes