quarta-feira, junho 21, 2006

Expliquem-me como se eu fosse uma criança de quatro anos...



... Para onde vai este país

Que os portugueses se embrulharam na bandeira com a esperança de que ela os proteja de todos os males – dos outros trinta e um países que estão no Mundial, talvez do sol, se possível do défice – tudo bem: cada um embrulha-se no que quer ou no que pode.

Que as televisões entraram em desvario já há alguns dias, parece evidente. Mas faltava a cereja em cima do bolo: ontem à noite, ao passar pela RTP1, ouvi a inconfundível voz do Prof. Marcelo e parei. Lá estava ele, algures na Alemanha, em mangas de camisa, sentado entre vários jornalistas. Interpelado por um deles, começou por se declarar «leigo no assunto», mas engatou imediatamente definindo tácticas de defesa e de ataque, sem pestanejar, com a mesma convicção e o mesmo tom assertivo com que aborda os (outros) problemas do país, nas suas conversas dominicais.

O que faz correr Marcelo? Interessa-me pouco.
Mas porque é que o serviço público de televisão mistura tudo? Porque é que usa um comentador político, um dos poucos portugueses para quem é sempre reservado o título de «Professor» (é verdade que também há o Prof. Freitas do Amaral e o Prof. Necas...), um Conselheiro de Estado, para comentar futebol? Aumentará muito as audiências? Será só isso?

Alguém me pode explicar se o problema é mais geral? Se estamos a assistir ao início de uma dança de cadeiras generalizada? Se a selecção portuguesa for longe no Mundial, Scolari substituirá Pacheco Pereira na «Quadratura do Círculo»? Cristiano Ronaldo será o sucessor natural (e urgente) de Alberto João Jardim? Irá Isaltino de Morais para o Tribunal de Contas para que Guilherme de Oliveira Martins possa fazer parte do elenco da nova série dos «Morangos com Açúcar»?

E já agora: alguém sabe se se passou alguma coisa em Timor nos últimos dois ou três dias? Será que Xanana, Alkatiri, Ramos Horta e os revoltosos estão todos juntos a ver o Mundial? E, outra vez, já agora: torcerão por Portugal ou pela Austrália?

Joana Vela

13 de Junho de 2006

terça-feira, maio 16, 2006

OPORTUNIDADE PERDIDA


Há algum tempo dizia que Águeda não podia esperar. Mas sempre disse também que era preciso dar tempo ao novo Executivo para começar de facto a operar a mudança que preconizava, mas nunca deixei de estar atento. Devo dizer que após esperar meio ano pelo Plano e Orçamento para 2006, ou seja, a estratégia que Águeda irá seguir seria certamente bem elaborada e ambiciosa. Não escondo agora o desalento.

Importa referir que muita dessa espera era de facto justificada pela necessidade de se aguardar os resultados da Auditoria Interna que iria fornecer dados importantes para a reorganização dos serviços, o que torna ainda mais estranho que se apresente uma proposta rápida e sem o debate que se lhe exigia, de integração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento na Câmara Municipal. Se esta integração resultar numa maior eficiência de serviços, na redução de custos, e optimização de recursos, parece-me uma opção muito positiva e importante para todos. Mas, não podemos esquecer que qualquer política deve antes de mais, ser explicada, e nesse aspecto não foi devidamente. Perdemos essa oportunidade. Não conseguimos perceber claramente onde surgem as mais valias, mas esperemos e estou certo que elas existam.

Por outro lado, hoje em dia, muita da gestão política, consiste em gerir expectativas. As expectativas criadas em torno deste Plano foram muitas, e temo que agora, numa análise fria e objectiva, tenha que dizer que ficou claramente aquém do que se podia ter conseguido. Muito pouco ambicioso, sobretudo para as primeiras Grandes Opções do Plano deste novo Executivo, afinal, a força da mudança parece estar a perder-se. É preciso mudar o discurso do Orçamento possível e da obrigação de pagar contas do passado. Todos os Executivos Municipais honram e cumprem os compromissos assumidos pelos anteriores, a gestão autárquica não deve ser estanque, mas deve sim ter uma linha de continuidade, portanto nesta perspectiva deixa de fazer sentido a lamúria, o desânimo. Deixemo-nos de justificações e vamos à luta. Cada vez mais as Autarquias surgem como motor de desenvolvimento regional. Não devemos desperdiçar o seu papel interventivo, devemos sim valorizá-lo. Bem como valorizar o papel dos jovens, e mais uma vez as políticas de juventude passaram ao lado da discussão Começa a ser tempo também de reflectirmos profundamente na mudança de mentalidade, de apostar numa juventude de futuro.

O Homem eleva-se nas dificuldades, tenho a certeza que continua a existir vontade para ganhar os desafios que Águeda enfrenta, mas não podemos continuar a perder oportunidades.

Águeda 7 de Maio de 2006

Carlos Franco

segunda-feira, abril 10, 2006

Consciência Política nos Jovens de Hoje


A educação sempre esteve presente na formação de cada ser humano; questionada sobre a sua importância, sobre quem tinha acesso a ela, é certo, mas sempre presente nos temas debatidos.

Nesse aspecto, somos herdeiros dos gregos e depositários estéticos do seu legado cultural e educacional, senão vejamos...

Na sua actividade racional e nos seus ideais se encontram algumas das nossas raízes culturais mais profundas. A nossa cultura europeia ocidental é o produto do cruzamento de algumas linhas de força essenciais: a inteligência grega, o direito romano e a religião cristã.

É também com os gregos que o problema educativo se coloca, ou seja, é com os gregos que a educação se põe como um problema decisivo para o destino do Homem. O entendimento era o homem só é homem pela educação e só vale pela educação!

Através dos tempos, constatamos uma preocupação social e governamental pela educação, tendo, inclusive, sido uma paixão de um certo Governo. Assistimos, desta maneira, a sucessivas reformas.

Todavia, com o Mundo em transformação constante e a um ritmo deveras alucinante, a política, ou melhor, a consciência política dos jovens, tema fundamental para uma cidadania responsável, parece passar um pouco encoberta.

Consciencializar os jovens de que a intervenção na polis ( origem da palavra política – os gregos, novamente… ) é condição fundamental para uma democracia efectiva. Aliás, a participação de todos é a intervenção dos cidadãos na solução dos problemas colectivos nas vilas, cidades, municípios, regiões, país e nos colectivos sociais como empresas, partidos, sindicatos e associações.

A participação social e política exige formação, animação, dinamização das populações para acções colectivas e movimentos sociais numa perspectiva de transformação das pessoas e da sociedade.

O mundo actual vive uma apatia dos cidadãos, sobretudo das camadas jovens, em relação à política e à vida pública, e, é urgente debruçarmo-nos sobre esta questão, identificar quais as causas e adoptar medidas para combater esta passividade. A sobrevivência da Democracia exige participação dos cidadãos, e esta não ocorrerá se continuarmos a caminhar para um voltar costas entre os jovens, os homens do amanhã e a política.

São necessários debates sobre esta tema, é preciso desmistificar a ideia de que os jovens não têm ideais nem grandes causas; trata-se, na minha modesta opinião, de proceder a uma arrumação simplificada entre boas e más gerações.

Os jovens actuais têm causas, têm valores, provavelmente, diferentes das outras gerações ditas com ‘valores’, como as de 60, ou 70; a mensagem política dos Partidos não tem chegado aos jovens, porque as directrizes partidárias talvez sejam as mesmas de outros tempos, e, a notória falta de vontade e consciência política é preocupante, é assustadora se pensarmos no futuro da sociedade enquanto tal.

Tem de haver uma envolvência dos jovens na política, pois a política actual é associável aos conceitos de cidadania e democracia. Assim, a relação entre os jovens e a política merece uma melhor atenção da sociedade; mas, é bom não esquecer, este não é um problema exclusivo dos jovens, é um problema generalizado, e que pode ter nos jovens uma alavanca para a solução, se a sociedade intervir através da educação e de não limitar o espaço dos jovens na intervenção política e em especial na esfera partidária.

Cabe às forças partidárias conseguirem passar a mensagem, cativar os jovens, indo de encontro à nova realidade da vida, percebendo que os valores e os ideais mudaram. E, sem medos, dar lugar aos jovens na esfera político – partidária; assim, talvez consigam perceber o que mudou entretanto.

Nós, os jovens actuais, crescemos nos últimos anos num mundo de realidade imediata, programática, com muito pouco espaço para os idealistas. Quer queiram, quer não, foi este o mundo que herdámos das tais gerações de valores…

Não fomos nós que fizemos o mundo assim.

Mas, sem dúvida, podemos e devemos transformá-lo.

Paula Vaz Franco – 21.06.04 - Águeda