

O jornal iraniano Hamshahri lançou um concurso com o tema “Onde está o limite da liberdade de expressão no Ocidente?”.
O jornal apresenta a iniciativa como uma resposta à publicação das caricaturas do profeta Maomé na imprensa europeia, dizendo que “A liberdade de expressão é um pretexto para os ocidentais poderem insultar as convicções muçulmanas”.
O editor do Hamshahri, Farid Mortazawi, diz que os judeus podem estar descansados porque concurso não pretende insultar a comunidade judia nem pôr em causa o Holocausto. “O nosso objectivo é avaliar os limites da liberdade de expressão”.
O site “Iran Cartoon” é quem está a publicar os cartoons que forem chegando e o primeiro veio de um australiano, Michael Leunig, que diz ter feito a caricatura “por solidariedade com o mundo muçulmano e para exercer o seu direito à liberdade de expressão”.
Sem dúvida, o tema dos cartoons é algo que se está a tornar um pouco atrofiante – na verdade, corre o risco de se tornar uma autêntica novela sem fim onde por entre ataques e mais ataques se vai, alegadamente, discutindo os limites da liberdade de expressão.
A liberdade de expressão nunca esteve em causa, a ofensa à dignidade de qualquer religião nunca esteve também em causa ou sequer ameaçada – tudo o resto são meras desculpas para incendiar ainda mais dois lados que se degladiam há demasiado tempo.
Duas ideologias que provavelmente mantêm acesa a chama do conflito pois a palavra paz e o sentido que dela advém, não consta nem do dicionário nem do próprio pensamento destes povos.
Se calhar seria melhor Israel e a Palestina deixarem de dar desculpas de que o que se está a passar é um extremar de posições entre ocidente e oriente e realmente aceitarem o facto de que os dois povos não conseguem co-existir pacificamente.Paula Vaz Franco
13 Março 2006

