domingo, fevereiro 19, 2006

POLÍTICA ( S ) DE JUVENTUDE ?


O tempo não pára. Por isso mesmo começo a ficar algo preocupado. Quero acreditar que não devo recear, mas confesso que é com alguma preocupação que vou observando que as oportunidades que deveriam surgir aos jovens aguedenses hoje...começam a ser adiadas para amanhã.

Sempre lutei para que as questões da juventude não passassem ao lado da discussão sobre o futuro que queremos para o nosso Concelho.

Não acredito em medidas isoladas nem milagrosas, mas acredito sim em políticas integradas de juventude.

Não existe uma só política de juventude. Devemos falar sim em políticas de juventude. É exactamente aqui que temos de mudar. Perceber que devem ser várias, transversais, abrangentes, inovadoras. Mas para isso precisamos muito antes, de ouvir os jovens, perceber qual a sua visão sobre o seu próprio futuro.

Começar por ouvir as associações, aproveitando a sua força, não esquecendo nunca que são os jovens que dinamizam muitas delas.

Apoiar e estimular as Juntas de Freguesias a promoverem actividades orientadas para a juventude, através de parcerias, protocolos, eventos promovidos pelas própria Autarquia, deve ser uma prioridade. E aqui a Autarquia tem ainda a responsabilidade de dinamizar as infraestruturas que tem como o Fórum Municipal de Juventude, o Estádio Municipal, as Piscinas, o Centro de Canoagem, entre outras.

Que se tragam a Águeda jovens de sucesso, do desporto à cultura, da educação ao ambiente, para partilharem connosco as suas ideias, que se promovam campanhas de sensibilização, que se perceba que a principal preocupação de qualquer jovem é conseguir o primeiro emprego, a segunda entrar no ensino superior e a terceira concluir estudos.

Que se estimule como disse recentemente, o voluntariado. Que se aposte na intervenção política como intervenção cívica.

Por outro lado, a muita distância da realização das tradicionais actividades de verão, começa também a ser tempo de perceber que estas actividades fazem mais sentido realizadas durante todo o ano de forma descentralizada, envolvendo todas as freguesias, do centro à periferia do Concelho.

Reconheço que muito há a fazer, que o desafio é grande, mas a motivação deve ser ainda maior. Não percamos mais tempo.

Carlos Franco

07 de Fevereiro de 2006

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

LEMBRAM-SE DAS ÁREAS METROPOLITANAS?

Em 2003 escrevi um artigo intitulado “Àreas Metropolitanas como oportunidade de descentralização”. Muito tempo passou. Muito pouco se fez. Mergulhámos desde então num período de eleições em catadupa, adiando esta oportunidade de descentralização.

Há muito que temos a noção que precisamos de viver num Portugal descentralizado.

Criou-se então, e a meu ver bem, reafirmo, uma nova organização dos municípios por áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais.

O País encontra-se numa situação económico – financeira em que cada vez mais é necessário que exista uma melhor articulação dos investimentos municipais de interesse supramunicipal, e uma melhor coordenação na actuação entre os municípios e a respectiva administração central. Torna-se por isso fundamental que encontremos uma solução para este afastamento entre a administração central e os municípios, nunca optando por algo que venha a substituir uns ou outros.

Se queremos um Portugal moderno e competitivo, temos seguramente, que implementar uma dinâmica de desenvolvimento, assente em novos caminhos.

Explorar melhor os seus recursos numa perspectiva de procurar sempre defender um maior poder reivindicativo, uma mais adequada reorganização territorial e melhor distribuição dos recursos financeiros provenientes do Estado, deve ser um dos novos caminhos.

Todos nós devemos ambicionar viver numa região desenvolvida, forte, mas em que este desenvolvimento seja feito de forma sustentada e articulada. Uma região com um projecto comum que se paute por proporcionar uma boa qualidade de vida a todos os que nela habitam sendo certo que assim estaremos a contribuir globalmente para um País melhor.

Tendo sido o PIDDAC para este ano uma desilusão, e como todos já começámos a perceber, após a euforia de vãs promessas eleitorais, continuaremos com os mesmos problemas de acessibilidades, mais premente se torna relançar esta questão, não podendo Águeda esperar pelos outros, tem ela própria de preparar o seu futuro.

A história não costuma dar uma segunda oportunidade. Neste processo está a dar-nos. Aproveitemo-la. Sem medo e sem receios.

Carlos Franco


quarta-feira, janeiro 18, 2006

Porquê Cavaco?



Porquê Cavaco?

Cavaco Silva esperou serenamente por este dia, não outro qualquer. Em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, acompanhado pela companheira de sempre, Maria, quebrou mais um tabu, anunciou a sua candidatura a Belém, e foi jantar.

Cavaco é isto. Simplicidade e uma inteligência política que tentará eternamente disfarçar.

Observei tudo isto pelo televisor, sentindo a perda de não estar presente numa noite em que se fez história a cada instante.

Mas estive no Porto. O Professor apresentou o seu Programa na Alfândega do Porto numa noite chuvosa.

Estava a olhar para o Professor Cavaco Silva e ouvia alguém junto de mim a dizer que se emocionava a ouvi-lo, a vê-lo, a sentir o efeito da sua presença.

Essa pessoa é especial para mim. E devemos escutar sempre o que as pessoas especiais nos dizem. E Cavaco Silva é também uma pessoa especial, que tem esta característica invulgar de não nos deixar indiferentes.

Mas mais do que apoiar um candidato, apoio o que o ele representa.

E Cavaco representa uma era de desenvolvimento para Portugal, de vencer a dificuldade, de lutar pela modernidade. Apoio - o quanto mais não seja pela esperança que tempos como aqueles voltem.

E não sou daqueles que acredita em esperanças pequenas. Portugal precisa desta grande esperança. Não é nenhum mágico nem tem poderes particularmente especiais, mas a dada altura da nossa história fez magia. A magia de fazer os Portugueses acreditarem em si próprios. Acredito que vamos conseguir restabelecer a confiança, aumentar o crescimento, combater o desemprego.

No passado demorei algum tempo a aceitar as atitudes tomadas por ele, mas compreendo-as agora por Portugal. Não estávamos bem. Não havia que esconder. Digo agora o que disse nesses tempos conturbados, que estóicos que fomos, nós, social – democratas.

Nestas eleições, como na vida, podemos não saber bem o que queremos, mas temos de ter a certeza do que não queremos.

E não quero Soares, nem Alegre, Louça ou Garcia, muito menos Jerónimo...pois anunciou a sua desistência no dia em que começou.

Quero um Presidente da República que não desista, que dê uma nova dimensão a Portugal, um contributo marcante para o desenvolvimento. Na vida temos de acreditar.

E porquê então Cavaco? Porque acredito nele.

Carlos Franco

Foto: Jantar Comicio|Parque de Exposições de Aveiro|17.01.06